Dores de cabeça na pré-adolescência: quando pode ser culpa dos hormônios
As mudanças hormonais da puberdade e do ciclo menstrual podem favorecer dores de cabeça em algumas meninas, mas existem outras causas possíveis.
Você começou a menstruar e, de repente, percebeu que sua cabeça também resolveu participar da história?
Talvez você tenha sentido uma dor antes da menstruação, durante aqueles dias ou até depois e ficou pensando: “Será que uma coisa tem a ver com a outra?”. Se isso aconteceu com você, saiba que essa é uma dúvida bastante possível nessa fase.
A menstruação pode vir acompanhada de vários sintomas, e a dor de cabeça é um deles. Mas isso não quer dizer que toda dor de cabeça durante a menstruação seja causada pelos hormônios.
Na pré-adolescência, seu corpo está passando por muitas mudanças ao mesmo tempo, então vale olhar para o conjunto antes de chegar a uma conclusão.
Quais são os motivos mais frequentes de dor de cabeça na pré-adolescência?
Existem vários motivos para sua cabeça doer. Você pode estar com sono, ter ficado muito tempo sem comer, ter bebido pouca água, estar cansada ou ter passado muitas horas olhando para uma tela.
Estresse, mudanças na rotina e algumas doenças também podem provocar dor de cabeça. Por isso, não dá para colocar toda a dor que aparece na conta da menstruação.
Ao mesmo tempo, se você começou a menstruar recentemente, pode perceber mudanças que antes não faziam parte da sua rotina.
Algumas meninas têm dor de cabeça antes ou durante a menstruação, e algumas podem ter crises de enxaqueca relacionadas ao ciclo.
A ACOG, organização médica especializada em saúde da mulher, também reconhece a dor de cabeça como um possível sintoma que pode aparecer nessa fase.
E aqui existe uma diferença importante: dor de cabeça não é necessariamente enxaqueca.
A enxaqueca pode envolver uma dor mais intensa e também pode vir acompanhada de enjoo ou maior sensibilidade à luz e ao som. Só um profissional de saúde pode avaliar seus sintomas e dizer o que está acontecendo.
Mas o que os hormônios têm a ver com isso?
Agora chegamos à parte que pode parecer complicada, mas não precisa ser. Durante a puberdade, seu corpo começa a produzir e regular hormônios de um jeito diferente.
Essas mudanças participam de várias transformações que você já deve ter percebido, como o crescimento dos seios, o aparecimento de pelos, mudanças na pele e, claro, a chegada da menstruação.
O estrogênio é um dos hormônios envolvidos no ciclo menstrual, e seus níveis mudam ao longo dele.
Pesquisadores estudam se a queda de estrogênio que acontece perto da menstruação pode ser um dos gatilhos de crises de enxaqueca em algumas mulheres.
Mas a ciência ainda não explica tudo: esses estudos foram feitos com adultas, e a enxaqueca não depende só do estrogênio.
Mas atenção: isso não significa que uma mudança hormonal seja a explicação para qualquer dor de cabeça que apareça perto da menstruação.
LEIA MAIS | Descubra se sua primeira menstruação está chegando!
Como saber se a sua dor de cabeça pode ter relação com o ciclo?
Imagine que sua cabeça começou a doer hoje. Você olha para o calendário e percebe que sua menstruação está chegando. Pronto: já dá para dizer que foi o hormônio? Ainda não.
Uma única coincidência entre a dor e a menstruação não é suficiente para saber se existe uma relação.
O que pode ajudar é observar o padrão. Em vez de tentar descobrir tudo de uma vez, você pode ficar atenta a algumas coisas.
O que vale a pena prestar atenção:
- Início da dor: começou antes, durante ou depois da menstruação?
- Duração: passou rapidamente ou durou várias horas?
- Frequência: voltou a acontecer em outros ciclos?
- Outros sintomas: provocou enjoo ou vontade de ficar em um lugar mais escuro?
- Sensibilidade: a luz ou os barulhos incomodaram mais enquanto a cabeça doía?
- Rotina do dia: você dormiu bem, comeu normalmente e bebeu água suficiente?
- Atividades: a dor atrapalhou os estudos, a escola ou os passeios?

Essas informações podem ajudar você e um adulto de confiança a perceber se existe algum padrão.
Se a dor aparecer sempre em uma determinada época do ciclo menstrual, por exemplo, vale contar isso para um profissional de saúde.
E tem uma coisa importante: um episódio isolado não prova que a dor é hormonal. Observar o corpo é justamente uma maneira de juntar informações antes de tirar conclusões.
O que você pode fazer quando a cabeça começa a doer?
Primeiro, conte para um adulto de confiança que sua cabeça está doendo. Pode ser sua mãe, seu pai, outro familiar ou outra pessoa responsável por você.
Também vale parar um pouco e prestar atenção nas necessidades básicas do seu corpo.
Você tomou água hoje? Comeu alguma coisa? Dormiu o suficiente? Passou muitas horas estudando ou olhando para uma tela?
Às vezes, uma mudança simples na rotina já faz diferença para alguns tipos de dor de cabeça.
Quando estiver com dor, tente ficar em um lugar confortável e observe se luzes fortes ou barulhos deixam tudo pior. Se puder, descanse um pouco.
E, depois, você pode anotar quando a dor começou e em que momento do seu ciclo você estava. Esse registro pode ajudar se a dor reaparecer.
Quando procurar atendimento médico?
Na maioria das vezes, a dor de cabeça passa sozinha. Mas alguns sinais pedem avaliação médica imediata.
Se você tiver qualquer um desses sintomas, avise um adulto na hora, não espere a dor passar:
- Dor de cabeça com febre e dor ou rigidez no pescoço
- Dor que acorda você durante o sono
- Dor depois de bater a cabeça
- Vômito que não para ou que sai em jato
- Mudanças na visão ou visão dupla
- Confusão, sonolência, dificuldade para acordar, formigamento ou fraqueza
- Dor repentina e muito forte, que aparece pela primeira vez
Mães e responsáveis: se sua filha apresentar qualquer um desses sinais, procure um serviço de urgência ou pronto atendimento.
Quando é hora de contar para um adulto?
Você pode contar para um adulto sempre que estiver preocupada com algo que está sentindo. Vale conversar com ele no mesmo dia, e marcar uma consulta com o pediatra, se a dor:
- For forte ou acontecer com frequência
- Estiver ficando pior com o tempo
- Fizer você faltar à escola ou deixar de brincar, estudar ou fazer atividades de que gosta
- For nova e muito diferente do que você costuma sentir
- Vier junto de outros sintomas que preocupem você ou seu responsável
Um profissional de saúde pode avaliar o que está acontecendo e dizer se existe relação com o ciclo ou se há outra explicação.
Procure conversar com um adulto de confiança, especialmente se a dor for muito forte, acontecer com frequência, estiver piorando ou começar a atrapalhar sua rotina.
Se você estiver deixando de ir à escola, brincar, estudar ou fazer atividades que normalmente faria por causa da dor, isso também merece atenção.
Também é importante contar se for uma dor nova e muito diferente do que você costuma sentir ou se ela vier acompanhada de outros sintomas que preocupem você ou seu responsável.
Nessas situações, um profissional de saúde pode avaliar o que está acontecendo e descobrir se existe alguma relação com o ciclo ou se há outra explicação.
O mais importante é não tentar se diagnosticar sozinha. Seu corpo está mudando e você ainda está aprendendo a reconhecer os sinais dele. Ter dúvidas faz parte desse processo.
Aviso importante: este conteúdo é informativo e educativo. Ele não substitui a orientação, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde. Se tiver dúvidas sobre sua saúde, converse com um adulto de confiança e procure um médico.
LEIA MAIS | Kit da primeira menstruação: o que ter em casa e na mochila
Seu corpo, seu ritmo
Começar a menstruar traz muitas novidades de uma vez, e a dor de cabeça pode ser uma delas.
Em vez de tentar adivinhar a resposta na hora, você pode observar, registrar e conversar com um adulto de confiança. E lembre: não tente se diagnosticar sozinha.
Quer começar a entender melhor os sinais do seu ciclo? Baixe o Sosô e registre o que você está sentindo para acompanhar suas mudanças ao longo do tempo.
Você não precisa lembrar de tudo nem fazer isso perfeitamente. O importante é começar a conhecer seu corpo no seu ritmo.
Comentários (0)

Veronica Tarsitano é estudante de Enfermagem, brasileira vivendo em Portugal. Casada e mãe de três filhos, incluindo a menina que deu nome e inspirou o Sosô, ela escreve a partir da experiência real de acompanhar a primeira menstruação de perto, sem filtros.
Baixe o app Sosô e acompanhe tudo isso na prática
Baixar o appPosts Relacionados
Como diferenciar sangramento de escape e menstruação
Escape é um sangramento leve e irregular, enquanto a menstruação costuma durar mais dias e seguir um padrão do ciclo.
Cólica ou dor de barriga? Como diferenciar e cuidar na pré-adolescência
Sua filha está com dor na barriga e você não sabe se é cólica? Aprenda a observar os sinais e ajude sua menina a entender melhor o próprio corpo, sem medo e sem drama.
Acordei com o lençol manchado: o que fazer de madrugada sem pânico
Acordar e perceber uma mancha de sangue no lençol pode dar um susto, principalmente quando isso acontece pela primeira vez. Mas a verdade é que esse tipo de situação é muito mais comum do que parece.
