Cólica ou dor de barriga? Como diferenciar e cuidar na pré-adolescência
Sua filha está com dor na barriga e você não sabe se é cólica? Aprenda a observar os sinais e ajude sua menina a entender melhor o próprio corpo, sem medo e sem drama.
Se tem uma coisa que pode deixar a gente cheia de dúvidas quando a filha começa a menstruar é aquela frase simples: “Mãe, minha barriga está doendo”.
E aí vem a pergunta que muitas de nós fazemos por dentro: será que é cólica? Será que é dor de barriga? Será que a menstruação está chegando?
Quando os primeiros ciclos começam, é normal que sua filha ainda não consiga explicar exatamente o que está sentindo.
Ela está conhecendo um corpo que muda rapidamente e pode não ter palavras para descrever uma pressão, uma pontada ou aquele desconforto diferente na parte de baixo da barriga. E tudo bem. Esse aprendizado acontece aos poucos, com informação, conversa e acolhimento.
Por isso, em vez de tentar adivinhar imediatamente o que está causando a dor, vamos aprender juntas a observar os sinais.
Entender onde dói, quando a dor aparece, como ela se manifesta e quais outros sintomas vêm acompanhados pode ajudar sua filha a conhecer o próprio corpo e também saber quando é hora de pedir ajuda.
Como saber se é cólica ou dor de barriga?
A cólica menstrual costuma estar relacionada à menstruação e geralmente aparece na região inferior do abdômen. Já a dor de barriga pode ter diferentes causas e nem sempre tem relação com o ciclo menstrual.
O problema é que, para uma menina que está vivendo os primeiros ciclos, essas sensações podem parecer muito parecidas.
Então, se sua filha chegar até você dizendo que está com dor, não precisa responder imediatamente que “é cólica”. Aproveite o momento para conversar.
Pergunte quando começou, onde dói e como ela descreveria aquela sensação. Essas perguntas simples ajudam vocês duas a entender melhor o que está acontecendo.
Uma maneira prática de observar é prestar atenção a alguns pontos:

Perceba que nenhuma dessas perguntas serve para fazer um diagnóstico em casa. Elas servem para ensinar sua filha a olhar para o próprio corpo. E esse é um aprendizado muito importante, principalmente agora que ela está começando a menstruar.
Onde a dor está localizada?
A localização pode trazer algumas pistas. A cólica menstrual costuma aparecer na parte inferior da barriga, podendo também ser sentida na região lombar.
Algumas meninas percebem um peso ou uma pressão, enquanto outras descrevem uma sensação de aperto que aparece e desaparece.
A dor de barriga, por outro lado, pode aparecer em diferentes regiões do abdômen e estar relacionada a outras sensações. Mas não existe uma regra em que “dor neste lugar significa cólica” e “dor naquele lugar significa intestino”. O corpo não funciona de maneira tão simples.
Então, quando sua filha apontar para a barriga, sente perto dela e converse. Se ela disser “parece que está apertando”, por exemplo, você já tem uma informação importante sobre o que ela está percebendo.
Como é a sensação da dor?
Você pode perguntar: “Parece uma pontada ou um aperto?”, “É uma dor que fica ou vai embora e volta?” ou até “Se você tivesse que explicar essa sensação para alguém, como explicaria?”.
E não se preocupe se ela não souber responder. Talvez ela precise de tempo para aprender. O mais importante é que ela saiba que pode contar para você o que está sentindo sem medo de ser julgada ou de ouvir que “é frescura”.
Quando a dor aparece?
O momento da dor também merece atenção. Se ela aparece antes ou durante a menstruação e isso acontece de maneira parecida em outros ciclos, pode existir uma relação com o período menstrual.
Agora, se a dor aparece em momentos diferentes do ciclo, sem um padrão claro, é importante não colocar automaticamente a culpa na menstruação. Afinal, a barriga pode doer por muitas razões.
Uma dica simples é começar a observar e registrar. Depois de algum tempo, você e sua filha podem perceber que alguns sintomas aparecem em determinados momentos do ciclo.
E conhecer esses padrões pode trazer uma sensação enorme de segurança para quem ainda está descobrindo como o próprio corpo funciona.
Por que a cólica pode acontecer na primeira menstruação?
A primeira menstruação é uma grande novidade. E, junto com o sangue menstrual, podem aparecer sensações que sua filha nunca experimentou antes. Por isso, não é raro que ela fique assustada quando percebe uma dor ou um desconforto na barriga.
A cólica acontece principalmente pelas contrações do útero durante a menstruação.
Substâncias chamadas prostaglandinas participam desse processo e estão relacionadas às contrações e à sensação de dor.
Para explicar isso para uma menina, você não precisa transformar a conversa em uma aula complicada. Basta mostrar que o útero também participa ativamente desse processo.
O que acontece no útero durante a menstruação?
Durante o ciclo menstrual, o útero passa por algumas mudanças e, quando chega a menstruação, elimina o revestimento que se formou ao longo do ciclo. Esse processo faz parte do funcionamento natural do corpo.
Para ajudar nessa eliminação, o útero se contrai. Você pode explicar para sua filha de uma maneira bem simples: “Seu útero está trabalhando durante a menstruação, e cada menina pode sentir esse processo de um jeito diferente”.
LEIA MAIS | Como o ciclo realmente funciona: uma conversa em grupo dentro do seu corpo
Toda menina sente cólica na primeira menstruação?
Não. E essa é uma informação importante para você compartilhar com sua filha.
Algumas meninas sentem cólica logo nos primeiros ciclos. Outras sentem apenas um pequeno desconforto e algumas não sentem dor. Também é possível que a intensidade mude de um ciclo para outro.
Cada corpo tem seu próprio ritmo. O melhor presente que podemos dar nessa fase é ajudar nossas meninas a conhecerem o próprio padrão, em vez de esperar que elas sintam exatamente o que outra pessoa sentiu.
A cólica pode vir acompanhada de outros sintomas?
Pode. Algumas meninas podem perceber náusea, alterações intestinais, dor de cabeça ou desconforto na região lombar junto da cólica.
E isso explica por que, às vezes, sua filha pode dizer simplesmente que está com “dor de barriga”. Afinal, ela ainda está aprendendo a separar todas essas sensações.
O que ajuda a aliviar a cólica na pré-adolescência?
Agora que você já sabe que a cólica pode fazer parte dos primeiros ciclos, vamos falar de uma coisa que toda mãe quer saber: o que podemos fazer para ajudar quando a dor aparece?
Primeiro, acolha. Depois, vocês podem descobrir juntas o que traz mais conforto para ela.
Calor pode ajudar?
O calor local pode ser uma opção para proporcionar conforto durante a cólica. Uma bolsa de água morna sobre a região abdominal pode ajudar algumas meninas a relaxar e lidar melhor com o desconforto.
Você pode preparar uma bebida que ela goste, deixar que descanse um pouco e aproveitar para conversar, se ela quiser.
Esses pequenos momentos ensinam uma mensagem importante: cuidar do corpo também significa respeitar quando ele pede uma pausa.
Descanso ou movimento: o que é melhor?
Depende da sua filha. Algumas meninas preferem ficar quietinhas quando estão com cólica. Outras percebem que uma caminhada ou um movimento leve ajuda a se sentir melhor.
Não existe uma obrigação de escolher um ou outro. Se ela estiver confortável para se movimentar, tudo bem. Se quiser descansar, tudo bem também.
E os medicamentos para cólica?
Em algumas situações, medicamentos podem ser utilizados para controlar a dor menstrual, mas não devem ser escolhidos ou administrados por conta própria.
Se sua filha tem cólicas frequentes ou se a dor está atrapalhando a rotina, converse com o profissional de saúde que a acompanha. Ele poderá avaliar o quadro e orientar o cuidado mais adequado.
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Como ajudar sua filha a entender melhor a própria dor?
Talvez você esteja pensando: “Mas como eu ensino minha filha a perceber tudo isso se ela ainda nem sabe explicar o que sente?”. Calma. Você não precisa ensinar tudo de uma vez.
Comece pelas conversas pequenas. Quando ela menstruar, pergunte como está se sentindo. Quando reclamar de dor, ajude-a a descrevê-la. Quando o ciclo terminar, conversem sobre como foi.
Com o tempo, ela vai começar a fazer essas perguntas para si mesma.
Registrar os sintomas pode facilitar a percepção de padrões
Nem sempre conseguimos lembrar exatamente como nos sentimos algumas semanas atrás. Por isso, registrar o ciclo e os sintomas pode ser uma maneira simples de ajudar sua filha a perceber padrões.
Ela pode acompanhar quando menstruou, como estava se sentindo, se teve cólica e quais sintomas apareceram. Depois de alguns ciclos, vocês podem olhar juntas para essas informações e perceber o que costuma acontecer.
É aqui que o Sosô pode entrar na rotina de vocês. A proposta é justamente ajudar meninas a acompanhar o próprio ciclo, registrar sintomas e sentimentos e desenvolver uma relação mais tranquila com as mudanças do corpo.
Em vez de transformar cada sintoma em motivo para preocupação, vocês passam a ter um espaço para observar e entender.
Falar sobre cólica também é educação menstrual
Quando você conversa com sua filha sobre cólica, está ensinando muito mais do que uma forma de aliviar uma dor. Você está mostrando que o corpo dela merece atenção, respeito e cuidado.
E talvez essa seja uma das partes mais bonitas dessa fase. No começo, você ajuda a colocar os nomes nas coisas. Depois, ela começa a reconhecer sozinha. Aos poucos, aquela menina que dizia “minha barriga está estranha” consegue explicar exatamente o que está sentindo.
Cólica não precisa virar um mistério para sua filha
Se sua filha está nos primeiros ciclos, é completamente compreensível que ela ainda não saiba diferenciar uma cólica de uma dor de barriga. Afinal, ninguém nasce sabendo interpretar os sinais do próprio corpo. A gente aprende, conversa, observa e vai entendendo aos poucos.
E lembre-se: você não precisa ter todas as respostas para ser a mãe que sua filha precisa nessa fase. Às vezes, o mais importante é justamente poder dizer: “Eu não sei, mas vamos descobrir juntas”.
Sua filha está descobrindo o próprio ciclo? Faça dessa fase uma conversa, não um drama.
Com o Sosô, sua filha pode acompanhar o ciclo, registrar o que sente e começar a entender melhor as mudanças do próprio corpo.
Baixe o Sosô para estar ao lado dela nesse processo, oferecendo informação, acolhimento e segurança para que a menstruação deixe de ser um mistério e passe a ser apenas mais uma parte de crescer.
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Veronica Tarsitano é estudante de Enfermagem, brasileira vivendo em Portugal. Casada e mãe de três filhos, incluindo a menina que deu nome e inspirou o Sosô, ela escreve a partir da experiência real de acompanhar a primeira menstruação de perto, sem filtros.
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