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Como o ciclo realmente funciona: uma conversa em grupo dentro do seu corpo

Por Fernanda Nunes Faggion6 de agosto de 2026

Vamos falar de como funciona o ciclo menstrual de uma forma um pouquinho mais científica hoje (mas ainda divertido, prometo).

Seu corpo tem um grupo de conversa (tipo aqueles das suas amigas) que nunca para.

Nesse grupo estão o cérebro, os ovários e o útero. E, em vez de mensagens de texto, eles usam hormônios para conversar.

Às vezes, um hormônio diz: “hora de começar um novo ciclo”. Outro avisa: “o óvulo está ficando pronto”. E outros ajudam o útero a preparar, manter ou eliminar sua camada interna.

Parece complicado, mas fica muito mais fácil quando conhecemos cada participante.

Quem participa dessa conversa?

tabela de hormonios do ciclo menstrual

O cérebro

Tudo começa em uma região do cérebro chamada hipotálamo. Ele envia um hormônio chamado GnRH, funciona como a primeira mensagem da conversa.

O GnRH avisa a hipófise, uma glândula bem pequena localizada na base do cérebro, que está na hora de enviar duas novas mensagens: o FSH (auxilia no crescimento do folículo) e o LH (finaliza o preparo do folículo e promove a ovulação)

Os ovários

Os ovários recebem o FSH e o LH.

O FSH ajuda pequenos folículos a crescer. Cada folículo é como uma pequena bolsinha que guarda um óvulo.

Enquanto um desses folículos cresce, o ovário produz cada vez mais estrogênio. Perto da ovulação, o LH aumenta rapidamente e ajuda o ovário a liberar um óvulo.

O útero

Dentro do útero existe uma camada macia chamada endométrio.

Durante o ciclo, essa camada cresce e fica mais preparada. Quando ela não é utilizada, o corpo a elimina. É isso que forma a menstruação.

O sangue menstrual não é sangue “sujo”. Ele é uma mistura de sangue, tecido do endométrio e secreções naturais do corpo.


As quatro fases do ciclo

ciclo menstrual com fases

1. Menstruação: o ciclo começa

O primeiro dia de sangramento é considerado o dia 1 do ciclo.

Nesse momento, os níveis de estrogênio e progesterona estão baixos. Sem esses hormônios para manter o endométrio, essa camada começa a se soltar e ocorre o sangramento.

É a menstruação.

Durante esses dias, você pode sentir cólica, cansaço, dor nas costas, inchaço ou mudanças no humor. Mas cada corpo reage de um jeito.

Algumas meninas sentem várias coisas e outras quase não percebem mudanças.

2. Fase folicular: reconstruindo tudo

Enquanto a menstruação acontece, o cérebro já começa a organizar o próximo ciclo.

O FSH estimula o crescimento dos folículos nos ovários. Normalmente, um deles se desenvolve mais do que os outros.

Esse folículo produz estrogênio.

Conforme o estrogênio aumenta, o endométrio começa a crescer novamente. É como se o útero estivesse reconstruindo sua camada interna depois da menstruação.

Algumas meninas percebem mais disposição ou mudanças na secreção vaginal nessa fase. Outras não percebem nada diferente, e isso também é normal.

3. Ovulação: o óvulo é liberado

Quando o nível de estrogênio fica suficientemente alto, o cérebro recebe um novo sinal. Isso provoca um aumento rápido do LH, conhecido como pico de LH.

Esse pico ajuda o folículo a liberar um óvulo. Esse momento é chamado de ovulação.

Mas aqui existe uma informação importante: nos primeiros anos depois da primeira menstruação, nem todos os ciclos têm ovulação.

4. Fase lútea: mantendo o endométrio preparado

Depois da ovulação, o folículo que liberou o óvulo se transforma em uma estrutura chamada corpo lúteo. O corpo lúteo produz principalmente progesterona.

A progesterona ajuda a manter o endométrio mais estável e preparado.

Quando não ocorre uma gravidez, o corpo lúteo diminui sua atividade. Os níveis de progesterona e estrogênio caem, o endométrio perde sua sustentação e uma nova menstruação começa.

E pronto: o grupo de conversa inicia outro ciclo.

Então o ciclo sempre será de 28 dias?

Não.

Vinte e oito dias é apenas um exemplo usado para facilitar as explicações. Não é uma meta que o seu corpo precisa cumprir.

Em adolescentes, especialmente nos primeiros anos depois da primeira menstruação, os ciclos podem variar bastante. Um ciclo pode ser mais curto, o próximo mais longo e, aos poucos, eles podem ficar mais previsíveis.

Isso acontece porque a comunicação entre o cérebro, os ovários e o útero ainda está amadurecendo.

Por isso, não compare seu ciclo com o de uma amiga, irmã ou pessoa da internet. Cada corpo tem seu próprio ritmo.

Seu ciclo deixa pistas

Observar o ciclo não serve apenas para saber quando a próxima menstruação pode chegar.

Também ajuda você a perceber:

• quanto tempo seus ciclos costumam durar;

• como é o seu fluxo;

• quando aparecem cólicas;

• como estão sua energia e seu sono;

• se existem mudanças na pele, no apetite ou no humor;

• quais sinais se repetem e quais foram diferentes naquele mês.

Quanto mais você conhece essas pistas, mais fácil fica a entender o que é comum para o seu próprio corpo. Seu ciclo não precisa ser perfeito, pontual ou igual ao de outra pessoa.

Ele só precisa ser conhecido por você.

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Fernanda Nunes Faggion
Fernanda Nunes Faggion

Fernanda Nunes Faggion é médica graduada pela Kursk State Medical University (KSMU), na Rússia, em 2024, e atualmente está em processo de revalidação do diploma no Brasil e em Portugal. Sua trajetória acadêmica inclui mestrado em Saúde Pública e experiência em estágios nas áreas de cirurgia vascular e transplantologia, o que lhe proporcionou uma visão ampla e sólida da prática médica. Movida por uma profunda admiração pela saúde feminina, encontrou na assistência à mulher seu verdadeiro propósito. Acredita que cuidar vai além do tratamento de doenças: é compreender cada paciente em sua individualidade, respeitando sua história, seus ciclos e suas necessidades.

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