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Sosô Responde: Higiene Íntima, Coceira e Aulas Constrangedoras sobre Puberdade (7 a 14 de outubro)

Por Veronica, Mãe da Sosô23 de outubro de 2026

Nesta semana você perguntou como lavar a parte íntima no banho, principalmente menstruada, por que pode coçar mesmo tomando banho todo dia, para que serve o protetor diário, por que todo mundo riu na aula sobre puberdade e o que fazer quando um menino não para de falar de sexo na sala. Aqui estão as respostas de verdade.

Nesta semana as suas perguntas vieram em dois grupos. O primeiro foi sobre cuidar do corpo: como lavar a parte íntima no banho, o que acontece com o sangue quando você está menstruada, por que pode coçar mesmo tomando banho todo dia, e para que serve, afinal, o protetor diário. O segundo foi sobre a escola: uma aula sobre puberdade em que todo mundo riu, e um menino que não para de falar de sexo na sala. No fundo, os dois grupos falam da mesma coisa: sentir-se bem no próprio corpo quando outras pessoas, ou o próprio corpo, deixam tudo meio constrangedor. Aqui estão as respostas de verdade.

P1. Como eu lavo a parte íntima no banho, e como faço quando estou menstruada?

Várias de vocês perguntaram como devem limpar as partes íntimas no banho, e algumas perguntaram como tomar banho menstruada sem o sangue se espalhar. Quase ninguém ensina isso, então faz todo sentido perguntar.

O que está acontecendo

Primeiro, um mapa rápido. A vulva é tudo o que fica do lado de fora: os grandes e pequenos lábios, o clitóris e as aberturas. A vagina é o canal elástico que fica por dentro, por onde saem o corrimento e o sangue da menstruação. As duas precisam de cuidados diferentes.

A vagina se limpa sozinha. O corrimento que aparece na calcinha faz parte disso: ele leva células velhas para fora e mantém a parte de dentro saudável. Por isso a parte de dentro nunca precisa ser lavada. Só a parte de fora, a vulva e a pele ao redor, precisa de uma lavagem delicada, do mesmo jeito que você lava o rosto.

Menstruada, o sangue continua saindo devagar enquanto você toma banho. Isso é totalmente normal. Ele se mistura com a água e vai embora pelo ralo, e ninguém mais vai saber.

O que as pesquisas realmente dizem

As orientações dos serviços de saúde são simples e muito parecidas entre si.

  • Água e sabonete suave, só por fora. O NHS, serviço de saúde do Reino Unido, orienta lavar a pele ao redor da vagina com cuidado, com água morna e sabonete suave sem perfume. O Center for Young Women's Health, do Boston Children's Hospital, diz o mesmo, acrescenta que a água não deve estar muito quente e diz para não colocar sabonete dentro da vagina, porque ela se limpa sozinha.
  • Nada de lavar por dentro. Lavar por dentro da vagina se chama ducha vaginal. O NHS e o Center for Young Women's Health dizem para não fazer. O Center for Young Women's Health diz que ela pode causar irritação e tirar o fluido natural que mantém a vagina limpa.
  • Deixe os produtos perfumados de lado. Sabonetes e géis perfumados, desodorantes, espuma de banho e lenços umedecidos perfumados estão todos na lista do "não use". Eles podem irritar a pele delicada dessa região.
  • De frente para trás. O NHS orienta se limpar de frente para trás depois de usar o banheiro, para que os germes do bumbum não venham para a frente.

O que fazer

  1. Entre e enxágue primeiro. Deixe a água morna (não quente) escorrer pela frente do corpo por alguns segundos.
  2. Use a mão, não a bucha. Um pouquinho de sabonete suave, sem perfume, na mão é suficiente. Lave os grandes lábios, a pele ao redor e a dobrinha onde as pernas encontram o corpo. Você pode afastar os lábios com cuidado e deixar a água correr entre eles, mas mantenha o sabonete do lado de fora.
  3. Lave de frente para trás. Deixe o bumbum por último, para não levar germes para a frente.
  4. Enxágue muito bem. Sabonete que fica na pele pode irritar e dar coceira (falamos disso na P2).
  5. Seque com batidinhas, com uma toalha limpa. Sem esfregar.
  6. Menstruada, planeje a ordem. Deixe um absorvente novo ou uma calcinha absorvente pronta na prateleira do banheiro antes de entrar. Tire o absorvente usado, enrole e jogue no lixo, e aí tome banho. Ao sair, seque-se e coloque o absorvente novo logo em seguida, antes de secar o cabelo.
  7. Se o sangue escorrer pelas pernas, é só enxaguar. É normal. Uma toalha escura para os dias de menstruação pode deixar você mais tranquila com os pinguinhos enquanto se seca.

Uma vez por dia é suficiente. Lavar mais vezes não deixa você mais limpa lá embaixo, e lavar demais pode irritar a pele delicada.

Um exemplo na prática

Mia está no segundo dia da menstruação e fica nervosa com o banho da manhã. Ela deixa um absorvente novo e uma calcinha limpa na prateleira, tira o absorvente usado, enrola no papel higiênico e joga no lixo. No chuveiro, enxágua com água morna, usa um pouco de sabonete sem perfume na mão para a parte de fora, enxágua de novo e termina pelo bumbum. Um pouco de sangue escorre pela perna e vai embora com a água. Ela se seca com a toalha escura, coloca o absorvente novo primeiro e depois se veste. Tudo leva cinco minutos.

Quando é mais do que uma questão de higiene

Conte a um adulto se a região estiver dolorida, vermelha, inchada ou coçando, se houver um cheiro forte ou diferente, se doer ou arder para fazer xixi, ou se o seu corrimento mudou. Esses são motivos para ir ao médico, não para lavar mais. A lista completa de sinais do corrimento está na P2.

P2. Por que coça lá embaixo se eu tomo banho todo dia?

Algumas de vocês perguntaram isso, e a parte do "todo dia" é a pista. Coceira na parte íntima muitas vezes não tem nada a ver com falta de limpeza. Às vezes é o contrário.

O que está acontecendo

Quando você é mais nova, antes da puberdade, a pele da vulva é fina e sensível, e o Royal Children's Hospital Melbourne explica que ela se irrita com facilidade. Mesmo depois, coisas do dia a dia podem irritá-la. Os gatilhos mais comuns são simples: sabonete que não foi bem enxaguado, espuma de banho, produtos perfumados, roupa apertada e ficar úmida (maiô molhado, legging suada, calcinha úmida).

Então uma menina que esfrega todo dia com um sabonete líquido perfumado pode ficar com mais coceira, e não mais limpa.

Há outras causas que vale conhecer.

  • Oxiúros. São vermes bem pequenos, comuns em crianças. O NHS diz que eles causam coceira intensa no bumbum ou na vagina, principalmente à noite.
  • Candidíase. É uma infecção por fungo. É rara antes da puberdade, porque a vagina tem menos estrogênio nessa fase. Quando a puberdade começa, ela passa a ser mais possível.
  • Líquen escleroso. É uma condição de pele pouco comum que causa manchas brancas que coçam, na maioria das vezes nos genitais. O NHS diz que pode afetar crianças.

O que as pesquisas realmente dizem

  • A maior parte da coceira em meninas mais novas não tem germe por trás. Os médicos chamam isso de "vulvovaginite inespecífica", que quer dizer simplesmente pele irritada. Uma revisão de Beyitler e Kavukcu no World Journal of Pediatrics, de 2017, diz que a maioria dos casos tem causas inespecíficas e que mudanças de higiene e evitar irritantes costumam ajudar. Uma atualização clínica de 2024 do Children's Mercy Kansas City, citando um livro de ginecologia pediátrica, fala em até 75% dos casos com causas inespecíficas. Esse número de 75% é sobre meninas que ainda não começaram a puberdade, então é uma referência, não uma regra para você.
  • Isso muda quando a puberdade começa. Em um estudo grande de Baka e colegas no European Journal of Pediatrics, de 2022, cerca de 2.300 meninas de 2 a 16 anos com sintomas, atendidas em um hospital na Grécia, fizeram um exame de laboratório. Alguma coisa cresceu no exame de cerca de metade das meninas mais novas e de cerca de três em cada quatro meninas na puberdade, e o fungo apareceu principalmente no grupo mais velho. Os autores dizem que esses resultados precisam ser lidos com cuidado, porque encontrar um germe nem sempre significa que ele causou o problema. Mesmo assim, é mais um motivo para examinar uma coceira que não passa.
  • Menos sabonete, não mais. O Royal Children's Hospital Melbourne orienta não lavar demais, usar pouco sabonete e enxaguar bem, usar calcinha de algodão folgada e não ficar parada de maiô molhado.

O que fazer

  1. Conte a um adulto que está com coceira, para que ele ajude você a testar essas mudanças e decida se um médico deve ver.
  2. Troque por água, ou um pouquinho de sabonete sem perfume, só por fora. Pare com sabonete líquido, espuma de banho e lenços perfumados na parte íntima.
  3. Enxágue pelo dobro do tempo que você acha necessário.
  4. Seque bem, com batidinhas, antes de vestir a calcinha.
  5. Use calcinha de algodão e troque todo dia, ou antes se ela ficar úmida.
  6. Saia rápido de roupas molhadas. Troque o maiô ou a roupa de educação física suada assim que puder.
  7. Durma com pijama folgado, em vez de legging apertada.
  8. Lave as mãos depois de usar o banheiro e antes de comer, o que também ajuda com os oxiúros.
  9. Tente não coçar. Coçar irrita mais a pele e piora a coceira.

Um exemplo na prática

Sofia toma banho toda noite com um sabonete líquido de morango e está com coceira há uma semana. Ela conta para a mãe, e juntas trocam por água pura na parte íntima. Sofia passa a enxaguar por mais tempo e a dormir de calcinha de algodão em vez de legging, e a coceira melhora bastante. Se fosse pior à noite e ao redor do bumbum, ou se não tivesse melhorado, a mãe marcaria uma consulta.

Quando é mais do que pele irritada

Conte a um adulto e vá ao médico se alguma destas coisas acontecer. Não tente tratar sozinha nem comprar nada na farmácia: na sua idade, o NHS diz que a candidíase precisa ser avaliada por um médico.

  • A coceira piora à noite, ou fica ao redor do bumbum.
  • Você vê manchas brancas na pele.
  • A pele está rachada, sangrando ou muito dolorida.
  • A coceira não melhora com essas mudanças, ou volta sempre.

O NHS também orienta procurar um médico se o seu corrimento:

  • mudar de cor, cheiro ou textura
  • vier em quantidade maior do que o normal
  • vier com coceira ou ardência
  • vier com sangramento entre as menstruações ou após sexo
  • vier com dor ao fazer xixi
  • vier com dor na região entre a barriga e as coxas (dor pélvica)

Se doer ou arder para fazer xixi, conte a um adulto no mesmo dia. O NHS lista dor ou ardência ao fazer xixi, precisar fazer xixi mais vezes, xixi turvo, sangue no xixi fora da menstruação, febre e sensação de estar doente como sinais de infecção urinária. Diz que quem tem menos de 15 anos deve buscar atendimento com urgência, assim como quem tem dor no pé da barriga ou nas costas logo abaixo das costelas.

P3. O que é protetor diário, e eu preciso usar?

Algumas de vocês perguntaram o que é, afinal, um protetor diário. Outras estão montando um kit de menstruação para a mochila e queriam saber se ele deve entrar no kit.

O que está acontecendo

O protetor diário é um absorvente bem fino e pequeno que gruda por dentro da calcinha. Ele não foi feito para a menstruação inteira. Foi feito para quantidades bem pequenas de líquido, como:

  • corrimento, se você quiser manter a calcinha mais limpa
  • escape, aquelas gotinhas de sangue que algumas pessoas têm antes ou depois da menstruação
  • o último dia, mais fraquinho, da menstruação
  • reserva, para quando você tem medo de que a menstruação comece

O que as pesquisas realmente dizem

  • Protetores são para dias bem leves. O NHS descreve o protetor diário como um absorvente menor e mais fino para dias de fluxo bem leve. Por isso ele não dá conta de um dia normal de menstruação.
  • Eles combinam com o kit "vai que". A Academia Americana de Pediatria sugere deixar absorventes e protetores diários na mochila ou no armário da escola antes da primeira menstruação.
  • O uso diário parece seguro em adultas, mas a evidência é pequena. Uma revisão sistemática de 2014, de Pontes e colegas, no International Journal of Gynecology and Obstetrics, concluiu que usar protetor entre as menstruações não parece fazer mal à vulva nem à vagina de mulheres saudáveis. Ela reuniu só cinco estudos, todos com mulheres adultas, e dois dos autores tinham feito um dos estudos sobre protetores publicados antes. Um dos estudos maiores, de Farage e colegas em 1997, acompanhou 224 mulheres por seis meses e não encontrou aumento de germes prejudiciais, mas todos os autores trabalhavam para a empresa que fabricava os protetores.
  • Os respiráveis fazem diferença. Um estudo pequeno de Runeman e colegas, de 2003, com apenas 12 mulheres, mostrou que um protetor comum deixou a pele mais quente, mais úmida e menos ácida do que sem protetor, enquanto um protetor respirável deixou tudo quase igual a não usar nada.

Ou seja: em adultas saudáveis, o protetor não parece fazer mal, e não há evidência de que você precise de um. Encontramos só um estudo pequeno e fraco com adolescentes. Ele não conseguiu dizer se o protetor causa mais corrimento ou se meninas com mais corrimento simplesmente usam mais protetor. Em mulheres que têm candidíase várias vezes, um estudo associou o protetor à volta da infecção.

O que fazer

  1. Você não precisa de protetor para o corrimento normal. Corrimento é saudável, e trocar a calcinha todo dia é suficiente.
  2. Se gostar de usar, escolha sem perfume e respirável. Protetor perfumado coloca perfume bem encostado numa pele sensível.
  3. Troque quando estiver úmido ou incomodando. Não existe um número oficial de horas, então vá pelo que você sente, e troque sempre que trocar a calcinha.
  4. Dê descanso para a pele. Fique sem à noite e nos dias em que não precisa.
  5. Coloque dois ou três no kit da escola, junto com pelo menos dois absorventes normais. Se a menstruação começar, o protetor segura por alguns minutos até você chegar a um absorvente de verdade.
  6. Pare de usar se começar a coçar e veja se melhora (veja a P2).

Um exemplo na prática

Ana tem 11 anos e anda com mais corrimento. Ela montou um kit de menstruação na mochila: dois absorventes normais, dois protetores, uma calcinha reserva e um saquinho com zíper, e usa calça escura nos dias em que fica insegura. Um dia ela se sente molhada durante a aula de matemática. No banheiro, vê algumas manchinhas marrons. Usa um protetor até o fim da aula e troca por um absorvente normal no intervalo, quando o escape aumenta. O protetor fez exatamente o seu papel: uma ponte curta, não o dia inteiro.

Quando é mais do que uma questão de protetor

Se de repente você tiver muito mais corrimento do que é normal para você, ou ele mudar de cor, cheiro ou textura, ou vier com coceira, ardência ou dor, use a lista completa da P2 e converse com um adulto. E na menstruação, se você precisar trocar um absorvente normal a cada 1 ou 2 horas, se a menstruação durar mais de 7 dias, se sair coágulo maior que cerca de 2,5 cm, ou se o sangue vazar na roupa ou na cama, conte a um adulto e vá ao médico.

P4. Todo mundo riu na nossa aula sobre puberdade. Por quê, e como eu passo pela próxima?

Algumas de vocês contaram de uma aula sobre puberdade em que a turma inteira começou a rir, principalmente quando os meninos aprenderam sobre o corpo das meninas. Se isso deixou você com vergonha, irritada ou as duas coisas, você não está sozinha.

O que está acontecendo

Rir numa aula sobre puberdade normalmente não tem a ver com o assunto ser engraçado. Quando algo parece íntimo, novo ou um pouco assustador, rir pode ser um jeito de soltar o nervosismo e mostrar para todo mundo que "está tudo bem". Numa grande revisão de estudos, alguns meninos disseram que faziam bagunça nessas aulas para esconder a ansiedade.

O que as pesquisas realmente dizem

  • Muitos alunos acham essas aulas constrangedoras. Pound, Langford e Campbell reuniram 48 estudos de 10 países sobre o que os jovens pensam da educação sexual na escola, num trabalho publicado no BMJ Open em 2016. Os alunos muitas vezes disseram sentir vergonha, principalmente em turmas mistas, e os professores também costumavam ficar constrangidos. A maior parte dos estudos foi com adolescentes, não com crianças mais novas.
  • A bagunça dos meninos pode ser nervosismo. Na mesma revisão, meninos disseram que atrapalhavam essas aulas, e alguns explicaram isso como um jeito de esconder a ansiedade.
  • E pode sobrar para as meninas. A revisão também mostrou que, em turmas mistas, os meninos muitas vezes desencorajavam as meninas de participar fazendo comentários sobre elas. Muitos alunos gostavam da ideia de especialistas de saúde de fora darem essas aulas.
  • Ter medo de provocação é muito comum. Uma pesquisa com mais de 900 estudantes no norte da Tanzânia, de Benshaul-Tolonen e colegas, publicada na PLOS One em 2020, mostrou que 13% das meninas já tinham sido provocadas por causa da menstruação, mas mais de 80% tinham medo de ser provocadas, na maioria das vezes por meninos da mesma idade. Os meninos sabiam mais ou menos o mesmo que as meninas sobre menstruação, e os meninos que sabiam mais não provocavam menos. O estudo foi feito em quatro escolas de uma região da Tanzânia, então não é igual à sua escola, mas o medo que ele descreve pode parecer familiar.

O que fazer

  1. Lembre por que eles podem estar rindo. Muitas vezes é nervosismo, e não diz nada sobre o seu corpo.
  2. Escolha o seu lugar. Sente perto de uma amiga que leva a aula a sério, mais na frente e longe do grupo mais barulhento.
  3. Use a caixinha de perguntas. Muitos professores têm uma caixa de perguntas anônimas. Se o seu não tiver, peça: "A gente pode escrever as perguntas sem colocar o nome?"
  4. Converse com o professor depois. Tente: "Algumas pessoas estavam rindo na parte das meninas e ficou difícil prestar atenção. Você pode falar alguma coisa na próxima vez?" Os professores geralmente querem saber.
  5. Pergunte sobre uma aula só para as meninas. Você pode dizer: "Seria possível ter uma parte dessa aula só com as meninas?" Algumas escolas fazem isso.
  6. Tire suas dúvidas num lugar tranquilo. Pergunte para a sua mãe ou o seu pai, uma irmã mais velha, a enfermaria da escola ou a Sosô o que você não conseguiu perguntar na aula.
  7. Não entre na brincadeira se alguém estiver sendo alvo de risada. Até um "Gente, todo mundo passa por isso" pode mudar o clima da sala.

Um exemplo na prática

Na turma da Lara, os meninos riram durante todo o slide sobre menstruação. Lara sentiu o rosto esquentar. No fim, ficou um minuto a mais e contou para a professora que tinha sido difícil prestar atenção. Na aula seguinte, a professora começou dizendo que todo mundo ali ia passar pela puberdade, colocou uma caixinha de perguntas e mudou o grupo barulhento de lugar. Ainda foi um pouco constrangedor, mas Lara conseguiu acompanhar, e escreveu duas perguntas.

Quando é mais do que risada

Rir durante uma aula é normal. Não está tudo bem quando vira provocação sobre o seu corpo ou a sua menstruação depois, no intervalo ou na internet, ou quando é direcionado a você de novo e de novo. Isso é bullying, e um professor precisa saber. A P5 explica o que fazer.

P5. Um menino da minha sala vive falando de sexo. O que eu faço?

Algumas de vocês contaram que um menino da sala vive falando de sexo, e isso deixa vocês desconfortáveis. Vale a pena prestar atenção nesse sentimento.

O que está acontecendo

Na sua idade, algumas crianças falam de sexo para se mostrar, para chocar os outros, ou porque viram coisas na internet que não entendem. Isso explica, mas não torna aceitável. Quando alguém faz piadas ou comentários sexuais sem parar, deixando outras pessoas desconfortáveis, isso tem nome: assédio sexual. É um tipo de bullying.

Você não está sendo sensível demais. Você não fez nada para causar isso. E você não precisa rir junto.

O que as pesquisas realmente dizem

  • É muito comum, e isso é parte do motivo de ser ignorado. Em 2021, o Ofsted, órgão que inspeciona escolas na Inglaterra, visitou 32 escolas e colégios e aplicou um questionário a pouco mais de 800 jovens de 13 anos ou mais. 80% das meninas disseram que comentários sexuais indesejados ou inadequados acontecem muito ou às vezes com elas ou com pessoas da idade delas, e 92% disseram o mesmo sobre xingamentos machistas. O Ofsted viu que alguns jovens achavam isso normal, e que alguns nem se davam ao trabalho de denunciar porque acontecia com muita frequência. Esses estudantes eram mais velhos que a maioria de vocês e a pesquisa não usou uma amostra aleatória, mas o padrão é claro: é comum, e continua não sendo aceitável.
  • Contar a um adulto é o passo principal. O KidsHealth, site de saúde infantil da Nemours, diz que assédio sexual não é algo para tentar resolver sozinha. Orienta contar a um adulto de confiança, como um professor ou o orientador da escola, e continuar contando a outros adultos até parar. Diz também que a pessoa assediada não tem culpa.
  • Um "pare" curto pode ajudar. O KidsHealth sugere pedir para a pessoa parar de um jeito breve, calmo e claro, e depois se afastar.

O que fazer

  1. Não ria nem responda com piada. Isso pode parecer que você está entrando na brincadeira. Cara séria e silêncio dizem muito.
  2. Diga uma frase curta e saia. Tente: "Isso não é legal. Para." ou "Eu não quero ouvir isso." Depois, saia de perto ou volte para a sua atividade. Você não precisa discutir.
  3. Conte para um professor. Você pode dizer: "Um menino da minha sala vive falando de sexo e isso deixa eu e outras meninas desconfortáveis. Eu queria que parasse." Você não precisa repetir as palavras exatas se não quiser.
  4. Conte também para um adulto em casa. Se a escola não fizer nada, ele pode falar com a escola por você.
  5. Anote o que aconteceu. A data, onde você estava, o que ele disse e quem estava junto. Isso ajuda um adulto a levar o caso a sério.
  6. Fique perto das amigas. É mais difícil alguém mirar numa menina quando ela está com outras, e as amigas podem apoiar você na hora de contar.
  7. Se ele mostrar ou mandar fotos para você, não encaminhe nem salve. Feche, e conte para um adulto na hora.

Um exemplo na prática

No recreio, um colega da Júlia vive fazendo comentários sobre sexo e olhando para as meninas para ver a reação delas. Júlia diz "Isso não é legal" e vai sentar com as amigas em outra mesa. À noite, ela anota o que ele disse e a data. Na manhã seguinte, ela e uma amiga contam juntas para a professora responsável pela turma. A professora conversa com o menino e passa a ficar de olho no recreio. Quando acontece mais uma vez, Júlia conta para o pai, que manda um e-mail para a escola, e para.

Quando é mais do que comentários

Conte para um adulto na hora, sem esperar, se alguém tocar em você de um jeito que você não quis, seguir você, ameaçar você, compartilhar fotos suas ou pedir fotos do seu corpo, ou se os comentários forem sobre você. Se o que está acontecendo estiver fazendo você não querer ir para a escola, ou se os sentimentos ficarem tão grandes que assustam você, conte isso também para um adulto de confiança.

O resumo da semana

As perguntas desta semana tiveram um fio em comum: você quer se sentir em casa no próprio corpo, mesmo quando ele está fazendo coisas novas e as outras pessoas estão sendo estranhas com isso.

  • Lá embaixo, delicadeza é melhor. Água morna e um pouco de sabonete sem perfume por fora, nada por dentro, de frente para trás, e um bom enxágue.
  • Coceira na parte íntima pode vir de sabonete demais ou de produtos perfumados, então troque por água e um pouco de sabonete sem perfume por fora, use algodão e fique seca. Conte a um adulto se estiver incomodando, e na hora se doer para fazer xixi, se o corrimento mudar, ou se você tiver febre ou dor na barriga.
  • O protetor diário é um absorvente reserva bem pequeno. Útil no kit da escola, nunca necessário para o corrimento normal.
  • Nas aulas sobre puberdade, a risada muitas vezes é nervosismo. Você ainda pode tirar suas dúvidas com o professor, com a caixinha de perguntas ou com alguém de confiança.
  • Comentários sexuais na sala são assédio, não brincadeira. Peça para parar, saia de perto e conte a um adulto.

Um próximo passo tranquilo: se você anda com coceira ou desconforto, siga os passos de cuidado delicado, anote no app da Sosô como você se sente a cada dia e conte a um adulto se continuar incomodando. Se alguma coisa na escola está incomodando você, escolha um adulto de confiança e conte para ele ainda esta semana.

Perguntas Frequentes

Posso tomar banho de banheira menstruada?

Pode. Banho de banheira não tem problema na menstruação, e a água morna pode ser gostosa se você estiver com cólica. Um pouco de sangue pode sair na água, o que é normal e não é motivo de preocupação. Deixe um absorvente novo pronto e coloque assim que sair.

Devo usar sabonete íntimo ou lenço umedecido perfumado?

Não. O Center for Young Women's Health e o NHS orientam a não usar produtos perfumados, sabonetes íntimos, desodorantes e lenços perfumados na vulva. Água morna e um sabonete suave, sem perfume, por fora são tudo de que você precisa.

De quanto em quanto tempo devo trocar a calcinha?

Todo dia, e antes se ela ficar úmida de suor, piscina ou corrimento. Calcinha de algodão deixa a pele respirar e é mais gentil com ela do que tecidos sintéticos ou legging apertada.

É normal o meu corrimento mudar?

É. O corrimento muitas vezes começa antes da primeira menstruação e muda ao longo do mês, às vezes mais grosso e cremoso, às vezes transparente e escorregadio. Conte a um adulto e vá ao médico se ele mudar de cor, cheiro ou textura, se vier em quantidade maior do que o normal, se vier com coceira ou ardência, se houver sangramento entre as menstruações ou após sexo, se doer para fazer xixi, ou se você tiver dor na região entre a barriga e as coxas.

E se o meu professor parecer envergonhado na aula sobre puberdade?

Isso é muito comum. Pesquisas sobre essas aulas mostraram que os professores também costumam ficar envergonhados e sem jeito. Isso não quer dizer que o assunto seja vergonhoso. Se ficaram dúvidas sem resposta, você pode perguntar em particular, escrever na caixinha de perguntas ou procurar a enfermaria da escola.

E se quem estava rindo era eu?

Tudo bem. Muita gente ri quando fica nervosa ou envergonhada. O que importa é o que vem depois. Você pode parar de rir quando a risada for para uma pessoa, dizer algo gentil para uma menina que pareceu chateada e fazer as suas próprias perguntas depois.

Posso contar para o professor sobre os comentários do menino sem que ele se encrenque muito?

Você pode dizer ao professor que só quer que pare. O que acontece depois é decisão da escola, não sua, e os professores têm jeitos de lidar com isso. O seu papel é só contar para alguém, e você não fez nada de errado ao contar.

De onde vêm estas informações

Estas são as principais fontes das respostas desta semana, em palavras simples.

  • NHS, "Vaginal discharge," site do NHS: orienta lavar a pele ao redor da vagina com cuidado, com água morna e sabonete suave sem perfume, não lavar por dentro, e lista as mudanças no corrimento que precisam de médico.
  • Center for Young Women's Health, Boston Children's Hospital, "Vulvar and Vaginal Care and Cleaning," 2023: orienta água morna e sabonete suave ou sem perfume na vulva, nada de sabonete na vagina, e nada de ducha vaginal ou produtos perfumados, que segundo a página podem causar irritação.
  • NHS, "Urinary tract infections (UTIs)," site do NHS: lista os sinais de infecção urinária, pede atendimento urgente para menores de 15 anos e orienta se limpar de frente para trás.
  • Royal Children's Hospital Melbourne, "Vulvovaginitis" e "Vulval skin care for children," Kids Health Info: explica que a pele fina antes da puberdade se irrita com facilidade com sabonete, espuma de banho, umidade e roupa apertada, e orienta não lavar demais.
  • Beyitler I, Kavukcu S, "Clinical presentation, diagnosis and treatment of vulvovaginitis in girls: a current approach and review of the literature," World Journal of Pediatrics, 2017: concluiu que a maioria dos casos em meninas tem causas inespecíficas e melhora com mudanças de higiene.
  • Erickson K, Etzenhouser AD, "Evidence Based Strategies: Vulvovaginitis in the Prepubertal Female," Children's Mercy Kansas City, 2024: cita um número de livro de até 75% dos casos inespecíficos em meninas mais novas e diz que a candidíase é rara antes da puberdade.
  • Baka S e colegas, "Microbiological findings in prepubertal and pubertal girls with vulvovaginitis," European Journal of Pediatrics, 2022: em cerca de 2.300 meninas com sintomas, algo cresceu nos exames com mais frequência nas meninas na puberdade, e o fungo apareceu principalmente nesse grupo mais velho, embora os autores digam que um exame positivo nem sempre significa que aquele germe causou os sintomas.
  • NHS, "Threadworms," site do NHS: diz que os oxiúros causam coceira intensa no bumbum ou na vagina, principalmente à noite.
  • NHS, "Lichen sclerosus," site do NHS: descreve manchas brancas que coçam, na maioria das vezes nos genitais, que podem afetar crianças.
  • NHS, "Thrush in men and women," site do NHS: descreve a candidíase e diz que quem tem menos de 16 anos e está com candidíase deve ir ao médico.
  • NHS, "Periods," site do NHS: descreve o protetor diário como um absorvente menor e mais fino para dias de fluxo bem leve.
  • American Academy of Pediatrics, HealthyChildren.org, "Physical Development in Girls: What to Expect," 2019: sugere deixar absorventes e protetores diários na mochila ou no armário antes da primeira menstruação.
  • Pontes AC e colegas, "A systematic review of the effect of daily panty liner use on the vulvovaginal environment," International Journal of Gynecology and Obstetrics, 2014: concluiu que o protetor diário não parece fazer mal a mulheres adultas saudáveis, com base em poucos estudos.
  • Farage MA e colegas, "Labial and Vaginal Microbiology: Effects of Extended Panty Liner Use," Infectious Diseases in Obstetrics and Gynecology, 1997: não encontrou aumento de germes prejudiciais em seis meses em 224 mulheres; os autores trabalhavam para o fabricante do protetor.
  • Runeman B e colegas, "The vulva skin microclimate: influence of panty liners on temperature, humidity and pH," Acta Dermato-Venereologica, 2003: em 12 mulheres, um protetor comum deixou a pele mais quente, mais úmida e menos ácida, enquanto um respirável quase não mudou nada.
  • Pound P, Langford R, Campbell R, "What do young people think about their school-based sex and relationship education? A qualitative synthesis of young people's views and experiences," BMJ Open, 2016: em 48 estudos, os alunos acharam essas aulas constrangedoras, alguns meninos disseram que atrapalhavam para esconder o nervosismo, e as meninas eram desencorajadas pelos comentários dos meninos.
  • Benshaul-Tolonen A e colegas, "Period teasing, stigma and knowledge: A survey of adolescent boys and girls in Northern Tanzania," PLOS One, 2020: 13% das meninas tinham sido provocadas por causa da menstruação e mais de 80% tinham medo disso; os meninos da mesma idade foram o grupo mais citado pelas meninas.
  • Ofsted, "Review of sexual abuse in schools and colleges," 2021: a maioria das meninas de 13 anos ou mais que responderam disse que comentários sexuais e xingamentos machistas acontecem com elas ou com pessoas da idade delas.
  • Nemours KidsHealth, "Sexual Harassment": orienta contar a um adulto de confiança, pedir para a pessoa parar de forma breve e calma, e diz que a pessoa assediada não tem culpa.

Estas informações estão aqui para ajudar você a entender o seu corpo. Elas não substituem um médico, então, se alguma coisa preocupar você, converse com um adulto de confiança e procure avaliação.

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Veronica, Mãe da Sosô
Veronica, Mãe da Sosô

Veronica Tarsitano é estudante de Enfermagem, brasileira vivendo em Portugal. Casada e mãe de três filhos, incluindo a menina que deu nome e inspirou o Sosô, ela escreve a partir da experiência real de acompanhar a primeira menstruação de perto, sem filtros.

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